Qual o tamanho do espaço que o corpo tem ocupado em nossas vidas?
Dia desses, na academia, estava próxima de 2 moças, amigas, talvez mais novas que eu, que treinavam juntas. Pelo fato dos aparelhos que usávamos estarem tão perto um do outro, não pude evitar ouvir a conversa: “esse treino que tô fazendo é ótimo pro abdômen, olha!”, “tem muita mulher que diz que não treina superiores pra não ficar musculosa, mas eu treino porque fica lindo em regatinhas”. E continuaram, no próximo aparelho: “mas olha minha coxa, preciso secar!”. Alguns dias depois, nos encontramos de novo, e os tópicos da conversa ainda eram as maravilhas que o treino fez em algum membro específico ou então o quanto outro membro ainda precisava ser aprimorado.
Comecei a pensar sobre as minhas próprias conversas com amigas, falamos sobre o quê? Estética, sim. Mas também: o quanto o treino ajudou com a redução de dores. Ou o quanto comer bem ajuda a ter a energia pra treinar e ficarmos mais fortes. Mais ainda: sobre dinheiro, trabalho, relacionamentos, autoconhecimento, política, histórias de infância, preocupações, séries e filmes…
Nossas conversas refletem nossos pensamentos, conquistas e angústias do momento. Então eu te pergunto: a aparência se tornou não só o centro de nossas conversas, mas o centro de nossas vidas?
Quando estamos o tempo todo imersas – não só com as nossas amizades, mas também famílias, redes sociais, e até em consultas médicas – em conteúdos sobre o corpo perfeito, o treino ideal para X, a alimentação ideal para Y, como conquistar o glúteo de tal jeito e o deltoide daquele outro jeito, é muito mais fácil 1) criar expectativas irreais sobre o nosso corpo que, de brinde, vem com uma frustração tamanho grande; 2) adotar medidas não saudáveis na tentativa de chegar nessas expectivas; 3) esquecer de todas as outras coisas que importam pra você e pra uma vida realmente saudável, seus valores, seus hobbies, quem você é além do seu corpo.
Quando a vida adulta é tão escassa em momentos com os amigos, eu me recuso a deixar que esse tempo escoe com conversas monotemáticas sobre aparência, sobre moldar o corpo nos mínimos detalhes. Talvez eu tenha sorte em ter as amigas que tenho, com quem posso conversar sobre tantos assuntos com tamanha naturalidade. Mas realmente acredito que não devemos normalizar que o único assunto entre duas – ou mais – mulheres seja como ficar mais gostosa ou o quanto “tal” parte do corpo é problemática (e na maioria das vezes nem é!).
Apesar de querer, não posso apertar um botão que acabe instantaneamente com a pressão estética e com a pressão interna que você coloca em si para atingi-la. Mas eu posso – e fica aqui o convite – te ajudar a reparar no seu cotidiano e trazer um pouco mais de consciência pras suas relações:
Sobre o que você conversa com suas amigas?

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